terça-feira, setembro 10, 2019

Bula'





Há sempre um problema.
Tu que se foi de nada adianta,
Teus gritos não me tremem as janelas…
Meus joelhos não tocam tua cova. 
Há quem diga que tudo se resolve;
Mas se tu morto desejando viver,
E eu viva desejando te ver.
Nenhum de nós poderia prever.
Há sempre um problema.
Ele que se vai de nada adianta,
Minhas mãos não acertam seu ritmo…
Seus olhos não me perfuram a carne.
Há quem diga que tudo se resolve;
Mas se eu escondendo a chave,
E ele tateando o escuro. 
Nenhum de nós poderia querer.
Há sempre um problema.
Eu que permaneço de nada adianto,
Todos os toques não me sentem por dentro…
Minhas dores não sabendo chorar.
Há quem diga que tudo se resolve;
Peço que se olhe onde vai assinar.
Pois foi escrito em letras miúdas pra que ninguém mais pudesse ler.
Onde eu pontilho minhas linhas não tem lugar para escrever.



[Suelen de Miranda]




*Por algum motivo o mundo fez silêncio dentro desse quadrado hoje.

Talvez um dos piores textos atuais. Talvez, mas tanto faz.
Uma das poucas promessas que eu ainda tenho mantido comigo, e assim continuo sem filtro. 

Não parece certo. Mas é sentimento de lar. 
É sempre mais correto fugir, e tratar com ausência. Mas quem sou eu pra saber? Está tudo errado.
Me perdoa?

segunda-feira, agosto 19, 2019

Utópico'

É carregar adiante,
Em algum outro idioma significa outra coisa,
Mas a mesma dor em todas as línguas.
Mesmo que se compreenda,
Mesmo que se concorde...
Quem profere não sabe,
Ou quem sabe não é você.
É seguir em frente, 
Em algum outro coração significa outra coisa,
Mas a mesma queda em todas saídas.
Mesmo que se consiga,
Mesmo que atinja…
Quem alcança não sabe, 
Ou quem sabe não é você.
É superar, 
Em alguma outra mente significa outra coisa,
Mas a mesma mentira em todos os adornos. 
Mesmo que espere,
Mesmo que se esqueça…
Quem continua não sabe,
Ou quem sabe não é você.
É impossível,
Quando o que se tem de deixar não sai dos ombros,
Ou espera a cada esquina sem deixar atalho.
Mesmo que exista,
Mesmo que se encontre...
Quem se cura não sabe,
Ou quem sabe não é você.



[Suelen de Miranda]


*Definitivamente.
Enquanto estou por aqui, aos meus futuros encontros, peço perdão pelo que me tornei.
Eu estraguei de vez. Orçamento inconclusivo. 
https://www.youtube.com/watch?v=7G60GA6gC1U
Essa foi longa. Mas sem desculpas desta vez. É sempre a última de qualquer forma.

quinta-feira, agosto 15, 2019

Carga'




Tem vez que é o fim. 
Ela olhando aquele rio, ele indo rápido demais.
Todos nós morremos todos os dias e não é questão de tempo.
Há quem diga que é caminho e encruzilhada;
Eu não preciso saber o destino.
Tem vez que é o fim. 
Alguns destilando o próprio sangue, outros também. 
Todos nós nascemos todos os dias e não é questão de querer. 
Há quem diga que é momento e presente;
Eu nunca soube abrir sem rasgar.
Tem vez que é o fim. 
Tu voltando pra casa sem lembrar de mim, eu esperando sabendo que não.
Todos nós morrermos todos os dias e não é questão tentar. 
Há quem diga que tudo fica e também passa;
Eu nunca soube me decidir. 
Tem vez que é o fim.
Tem cansaço que não respira, 
E todos esquecem de perguntar;
Se é possível seguir, ou se é preciso parar.
Tem vez que é o fim e mesmo assim…
Há quem esquece de que parar, Nem sempre é descansar.


[Suelen de Miranda]

*Eu não sei se sobrevivo a este ano. 2016. Eu não sobrevivo a você outra vez.2019. Eu não sei.

Está um lixo. Perdoa.


domingo, julho 21, 2019

Memorial'

Não olho para trás.  Não mais.  Os dias são melhores em menos tempo, Pois quando se corre, não se alcança. Não é preciso pra poder saber,  Que tu me beija a nuca a cada fôlego. Não olho para trás. Nunca mais. As noites são piores sem tua lembrança, Pois quando se tenta, não se esquece. Não é preciso pra poder te ver, Enquanto me sorri por dentro das pálpebras. Não olho para trás. Não mais. Se ignora apenas o que se quer apagar,  E por mais que eu já tenha, nem tu pôde. Não olho para trás por saber; Não mais...Porque Não ter certeza da tua ausência; É o que me ajuda a ter certeza de você.


[Suelen de Miranda]

* Não foi o suficiente, mas se está em linhas deixa de estar nas veias.
Quem diz que o poço tem fundo, tem sorte da vida rasa que tem. 
Eu continuo com raiva, e tem vez que parece que ao invés de diminuir, ela inunda. Perdoa, coração.

https://www.youtube.com/watch?v=YaVE4WVlsDQ&feature=youtu.be

segunda-feira, julho 15, 2019

Estrume'




Quanto se pode aguentar?
Entre carne e osso há vários limites;
Entre passado e presente.
Dores acima, uma nebulosa de hematomas.
Quanto se pode aguentar?
Entre pele e sangue há várias linhas;
Entre presente e futuro.
Dores por dentro, uma sinfonia de arranhões.
Quanto se pode aguentar?
Fisicamente um ou dois golpes,
Mas a profundidade é regra da gravidade.
Quanto posso aguentar?
Falo de minha mente e alma sem saber explicar;
Talvez um dia eles entendam que a mente é parte do corpo,
E ela é a única que sabe matar.





[Suelen de Miranda]

* Não é de hoje. 
Eu só sei falar sobre ele, luto... luta. Então mais fácil escrever só de ler algo antigo, mas que faça sentido. Não era isso que eu queria dizer. Mas há tanto.
Não sobrou quase ninguém... E tentando ser lógica, mas provavelmente a culpa é só minha. A culpa sempre é minha.
Não tem porque alguém permanecer mesmo. Se eu pudesse eu também fingiria que eu não existo.


quinta-feira, maio 09, 2019

Aviso'

Não tem fim.
A cada dia que nasce, se dorme a mesma noite;
Nos mesmos olhos, na mesma memória.
De tudo que te espero, é que tu não saibas mais contar.
Já que foi em mim que sobrou nossa primeira data.
Não tem fim.
A cada noite que cai, se acorda o mesmo dia;
Nos mesmos ossos, no mesmo amor.
De tudo que te desejo, é que tu não saibas mais lembrar.
Já que foi em mim que sobrou nosso último solo.
Não tem fim.
A cada semana que inicia, se termina o mesmo mês;
No mesmo coração, na mesma dor.
De tudo que te preciso, é que tu não consigas ver.
Já que foi em ti que sobrou minha única chance.
Não tem fim…
Ainda é manhã de sábado depois de trezentos e trinta e quatro dias.
Ainda não voltei a respirar depois de quarenta e oito semanas.
Quem disse que passa, nunca passou por aqui;
Não teve de jogar terra sobre teu corpo.
Quem disse que melhora, nunca sentiu isso;
Não teve de te permitir apodrecer.
Acho que agora eu entendo,
Quando não se encontra um fim para o que se vive;
O fim estará em quem.


[Suelen de Miranda]



*Não funciona mais. Nada mais.
Onze meses. E eu nunca disse que amava. Mas adorar vale mais ainda, foi o que me disseram um dia. Saiba que tu foi. Tu pra sempre será.

https://www.youtube.com/watch?v=BdpoeUZvVtw
Eu não consigo voltar. E quem eu acho que me guia eu faço se perder. O certo é ir sozinha... seja pra outro lugar, seja pra te ver, seja pro fundo do rio. 
Eu não consigo mais escrever, vê?

domingo, abril 07, 2019

Miragem'

E eu pensei que conhecia,
Que tudo que me acidentou; abriu os maiores cortes.
Aquela parede foi fria mas foi mais forte que minha mãe,
Pois tem coisas que não se corre, se recorre.
Assim... Eu pensei que sabia,
Que tudo que me apedrejou; quebrou todas as partes.
Aquele sol foi quente mas foi mais gentil que minha irmã.
Pois tem momentos que não se para, se ampara.
Então eu pensei que conhecia,
Que tudo que me machucou; causou as maiores dores.
Que tudo que me torturou; deixou os maiores traumas.
Eu pensei que já sentia,
Mas parece que mais isso tu tinha pra me ensinar,
Que esperar uma espera que não é minha,
Só refutou minha maior teoria;
De que eu sabia o que era sofrer.


[Suelen de Miranda]

*https://www.youtube.com/watch?v=0J_NsG3kR7s
Cigarros já não são tão ruins. A não ser que eu lembre dos dois. 
Eu não quero chamar, perdão. Mas dói e eu não sei o que fazer.

sexta-feira, março 29, 2019

Luta'







Meu corpo é feito de água.
Pode correr por todos os metros, pode voltar a língua;
Tem vez que se tampa e não se vê,
Mas nunca me afoga.
Sempre é apenas questão de doer.
Teu corpo é feito de nada.
Pode restar alguns pedaços, pode estar lá;
Tem vez que se enterra e não se esquece;
Mas nunca te pulsa.
Sempre é apenas questão de esquecer.
Meu corpo é feito de erros.
Pode conter todas as quedas, pode voltar a ti;
Tem vez que se morre e não apodrece;
Mas nunca me mata.
Meu corpo é feito de memória.
Pode tocar outras peles, pode voltar a sentir;
Tem vez que lembra e não se crê,
Mas nunca se acaba.
Todo dia é manhã de um dia ímpar,
Todo dia é tua última noite.
Eu devo ser forte feito a madeira do teu caixão,
Que não te deixa sair de lá,
Assim como eu não te deixo sair de mim.


[Suelen de Miranda]



Eu culpo a todos pelo pouco que fomos. Eu tenho parte da culpa. Por não ter lutado mais. Por não. 
let me sleep i am tired of my grief.